quinta-feira, 25 de março de 2010

Eu, lugar.

Aí dentro há constante só na desordem. Há certo só na mudança. Se aí dentro te perdes, como aí dentro alguém se achar? Não importam signos, olhares ou livros. Há sempre infinitos quereres que em ti ardem, cegam, guiam, levam.

Tenho pra mim que aí dentro só a de habitar quem se afeiçoe a segurança a deriva, que tome gosto de viver embaraçado dessa confusão, se encontre no compasso da bagunça e navegando pelas ruas dessa perturbação faça música.

Quando penso que te habito, que decifro teus caminhos e faço prosa da tua poesia, trazes o vento e aí dentro troca a figura. Quando penso que te aprendo e te reprimo, te acordas e me laça. Eu que sou eu, agora te largo, te deixo, te assisto. Porque poder alheio sobre ti não há. Confiar não confio, mas assim, é só assim que me largo, me deixo, me solto e prossigo.

“Sua coragem é a de não, não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.” C.L.





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