quinta-feira, 25 de março de 2010

Eu, lugar.

Aí dentro há constante só na desordem. Há certo só na mudança. Se aí dentro te perdes, como aí dentro alguém se achar? Não importam signos, olhares ou livros. Há sempre infinitos quereres que em ti ardem, cegam, guiam, levam.

Tenho pra mim que aí dentro só a de habitar quem se afeiçoe a segurança a deriva, que tome gosto de viver embaraçado dessa confusão, se encontre no compasso da bagunça e navegando pelas ruas dessa perturbação faça música.

Quando penso que te habito, que decifro teus caminhos e faço prosa da tua poesia, trazes o vento e aí dentro troca a figura. Quando penso que te aprendo e te reprimo, te acordas e me laça. Eu que sou eu, agora te largo, te deixo, te assisto. Porque poder alheio sobre ti não há. Confiar não confio, mas assim, é só assim que me largo, me deixo, me solto e prossigo.

“Sua coragem é a de não, não se conhecendo, no entanto prosseguir. É fatal não se conhecer, e não se conhecer exige coragem.” C.L.





quarta-feira, 10 de março de 2010

O que se achou

O passo, pelo acaso se encontrou. Já o olhar, pelo acaso se atraiu. Se atraiu; se desviou; se evitou; mas no descanso se perdeu.


O ar fugiu, toda a gente sumiu. Na música o corpo se apegou, a coragem, se embalou e no som se propagou. Foi assim que pelo acaso, se encontrou.


O achado: se espalhou, feito onda pelo ar. E do acaso: fez-se música, fez-se chuva, fez-se par, numa quase sintonia que se afina, se depura e se suspende pelo ar.

terça-feira, 2 de março de 2010

em salto

Desanimo. Abandonar os sonhos em uma tarde preguiçosa e chuvosa não parecia uma boa idéia naquele momento. Pensava na “festa que faria na prisão” durante aquele fim de semana, mas existem horas em que a liberdade ganha ares de cansaço e é fácil apenas desistir.

Surpresa. De repente, como que por acaso, o outro explode, há força; companhia; motivo. Da combinação das três meninas irromperam ondas levando a luz do que têm de melhor e trazendo a elas a sorte que atraem os que vivem com respeito.

Vida. Série de acontecimentos banais e surpreendentes que diriam por acaso se não se permitissem sentir os sinais da ligação do que está vivo - o que se sente quando se vê com os olhos ou o que se vê com a alma. Série da sensação física tida quando, com os olhos fechados, sentimos um sopro de um medo que nos enche de coragem. É então que se vive, em companhia da harmonia e do equilíbrio.

Em dois dias as ondas trouxeram àquelas meninas Maria Bethania; anjos; o melhor feijão de todos os tempos; um gênio da lâmpada escondido na lua; e cumplicidade, com a dança guardada por cada uma.



Tempo tecido de sentimentos

Às avessas com um produto dos desassossegos maiores, dos que a todos atormentam, quando de repente, algo mais concreto e palpável é capaz de provocar o esquecimento do que ti afligirá no futuro.

Rapidamente, o eu todo retorcido dá espaço para aquele outro, divagações sobre aquele olhar, daqueles de reconhecimento. Percebemos que estamos sim “cá dentro de nós, sós”, mas assim seguiremos em companhia. A loucura dá enredo à sintonia, ao ritmo, àquela dança, pra quem tudo é dança, te/êm beleza e te/êm sentido.

Aqui, onde há relação e não contato, se pode dormir no aconchego de sonos embalados por chamas, trovões ou risos depois dos dias em pesadelos ou em sonhos.

A finitude da matéria é certa, seja por qual motivo for. As sensações... sempre virão com as canções.